
Como terapeutas estamos sempre em busca de auxilio ao outro, procurando muitas vezes auxiliar de maneiras não tão claras para nossos pacientes, pois o processo de cura que cada um se propõem (os pacientes) é específico daquela pessoa.
Muitas vezes nos deparamos com situações de extrema rigidez fisica, de bloqueios emocionais, de problemas que aparentam não ter solução; contudo o desafio de auxiliar o próximo nesta árdua caminhada muitas vezes aparenta ser dissonante com o problema. Mas o principal de um atendimento terapêutico deve ser pautado pelo cuidado com que o terapeuta leva o processo todo, a todo instante.
Se você sente que seu terapeuta o conduz com cuidado, então pode confiar nesse profissional que está a sua frente. Mas, o que você deve considerar como cuidado?
Acredito sinceramente que fábulas e estórias sempre ilustram muito bem o caminho das pedras. Muitas vezes a sua concepção de um termo como o “cuidado” que estou me referindo não condiz com o ideal deste termo filosoficamente ou eticamente falando. Assim do livro de Leonardo Boff, “Saber Cuidar” retiro o conto de “Cuidado” que foi escrita por Higino, um escravo romano que conseguiu sua liberdade. É uma transcrição de uma fábula que remonta a tempos imemoriais.
Fábula-mito do Cuidado
Certo dia, ao atravessar um rio, Cuidado viu um pedaço de barro. Logo teve uma idéia inspirada. Tomou um pouco do barro e começou a dar-lhe forma. Enquanto contemplava o que havia feito, apareceu Júpiter.
Cuidado pediu-lhe que soprasse espírito nele, o que Júpiter fez de bom grado. Quando porém, Cuidado quis dar um nome à criatura que havia moldado, Júpiter o proibiu. Exigiu que fosse imposto o seu nome.
Enquanto Júpiter e Cuidado discutiam, surgiu, de repente, a Terra. Quis também ela conferir o seu nome à criatura, pois fora feita de barro, material do corpo da Terra. Originou-se então uma discussão generalizada.
De comum acordo pediram a Saturno que funcionasse como árbitro. Este tomou a seguinte decisão que pareceu justa:
“Você, Júpiter, deu-lhe o espírito; receberá, pois, de volta este espírito por ocasião da morte dessa criatura.
Você, Terra, deu-lhe o corpo; receberá, portanto, também de volta o seu corpo quando essa criatura morrer.
Mas como você, Cuidado, foi quem, por primeiro, moldou a criatura, ficará sob seus cuidados enquanto ela viver.
“E uma vez que entre vocês, há acalorada discussão acerca do nome decido eu: esta criatura será chamada Homem, isto é, feita de húmus, que significa terra fértil”.
Assim, dentro deste processo nem sempre os elementos que se apresentam aparentam ter relação direta com o foco principal, mas são peças chave para o caminho de solução. E não podem ser ignoradas pois fazem parte do problema, e somente pode-se chegar a cura passando por cada um dos seus meandros.
E se gostou dos termos míticos usados, saiba que o seu terapeuta nada mais é do que o arauto, aquele que conduz ao objetivo estipulado por você, meu caro leitor...
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