sábado, 27 de março de 2010

Educação


Muitas vezes como pai me deparo com situações de meus filhos que exigem uma rápida tomada de atitude para educá-los, orientando-os em consonância com nossos anseios de liberdade e humanidade, o que não raro, exige severidade. Contudo por mais que essas ações sejam corretas (aparentemente ao menos) fico com a sensação de que poderia ter sido mais terno, mais pai. São sentimentos que procuro não esconder, sem deixar a impressão de duvida da atitude tomada. Mas qual o melhor exemplo que podemos dar sabendo que a educação verdadeira se dá no âmbito do exemplo dado dos pais a seus filhos? Sinceridade é imprescindível. Mas que força deve ter essa atitude?

Em meio a esses questionamentos, recebi um presente ao ler o texto que se segue:


O Dr. Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi e fundador do MK Institute, contou a seguinte história sobre a vida sem violência, na forma da habilidade de seus pais, em uma palestra proferida em junho de 2002 na Universidade de Porto Rico.
Eu tinha 16 anos e vivia com meus pais, na instituição que meu avô havia fundado, e que ficava a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul.

Vivíamos no interior, em meio aos canaviais, e não tínhamos vizinhos; por isso minhas irmãs e eu sempre ficávamos entusiasmados com possibilidade de ir até a cidade para visitar os amigos ou ir ao cinema.

Certo dia meu pai me pediu que o levasse até a cidade, onde participaria de uma conferência durante o dia todo. Eu fiquei radiante com esta oportunidade. Como íamos até a cidade, minha mãe me deu uma lista de coisas que precisava do supermercado e, como passaríamos o dia todo, meu pai me pediu que tratasse de alguns assuntos pendentes, como levar o carro à oficina. Quando me despedi de meu pai ele me disse:
"Nós nos encontraremos aqui, às 17 horas, e voltaremos para casa juntos."

Depois de cumprir todas as tarefas, fui até o cinema mais próximo. Distraí-me tanto com o filme (um filme duplo de John Wayne) que esqueci da hora. Quando me dei conta eram 17h30. Corri até a oficina, peguei o carro e apressei-me a buscar meu pai.

Eram quase 18 horas. Ele me perguntou ansioso:
"Por que chegou tão tarde?"
Eu me sentia mal pelo ocorrido, e não tive coragem de dizer que estava vendo um filme de John Wayne. Então, lhe disse que o carro não ficara pronto, e que tivera que esperar. O que eu não sabia era que ele já havia telefonado para a oficina. Ao perceber que eu estava mentindo, me disse:
"Algo não está certo no modo como o tenho criado, porque você não teve a coragem de me dizer a verdade. Vou refletir sobre o que fiz de errado a você. Caminharei as 18 milhas até nossa casa para pensar sobre isso."

Assim, vestido em suas melhores roupas e calçando sapatos elegantes, começou a caminhar para casa pela estrada de terra sem iluminação.
Não pude deixá-lo sozinho... Guiei por 5 horas e meia atrás dele... Vendo meu pai sofrer por causa de uma mentira estúpida que eu havia dito.

Decidi ali mesmo que nunca mais mentiria.
Muitas vezes me lembro deste episódio e penso: "Se ele tivesse me castigado da maneira como nós castigamos nossos filhos, será que teria aprendido a lição?" Não, não creio. Teria sofrido o castigo e continuaria fazendo o mesmo. Mas esta ação não-violenta foi tão forte que ficou impressa na memória como se fosse ontem.

"Este é o poder da vida sem violência."


A não-violência na criação dos filhos
http://www.saindodamatrix.com.br/

quarta-feira, 10 de março de 2010

ALONGAMENTO E VIDA



Qualquer pessoa sabe do valor de se ter uma boa saúde, e invariavelmente busca realmente mantê-la através da alimentação, do trabalho, das relações com outras pessoas, enfim todos nós buscamos em suma, viver. Mas será que realmente estamos fazendo o melhor para nossa saúde? Qual paradigma estamos vivendo?

Vou citar como exemplo a alimentação que num curto espaço de tempo mudou radicalmente de posição. Há pouco tempo, comer pela manhã bacon com ovos era uma maneira muito boa de começar o dia, contudo a recomendação médica hoje praticamente proíbe tal prática afinal, o índice do colesterol pode aumentar e levar a pessoa a ter graves problemas cardíacos. Acrescente-se a isso que também o consumo elevado de ovos pode ter o mesmo efeito. Pois bem, recentemente ficamos sabendo que o consumo de ovos não aumenta o colesterol, e mais ainda, pode até mesmo controlá-lo. E agora, quem vai me indenizar pela enorme quantidade de ovos que prazerosamente deixei de comer?

Também devemos lembrar pela nova legislação nutricional as industrias alimentícias são obrigadas a colocar na informação nutricional (aquela tabela que informa os componentes nutricionais em porcentagem por porção) a quantidade de gorduras totais, gorduras saturadas e gorduras trans. Mudanças recentes de paradigmas.

Porém com relação à prática de exercícios, cada vez mais surge como o grande diferencial em se ter saúde e saúde com qualidade de vida. Muitas vezes encontramos pessoas que nos deixam admirados pela sua disposição e atitude, são tão positivas que chegamos até a pensar que nós deveríamos também assim ser. E quando perguntada sua idade, a resposta deixa-nos ainda mais admirados, pois supúnhamos que a pessoa fosse muito mais nova. E quando ocorre o contrário?

Encontramos uma pessoa que tem o corpo curvado, desanimada ou com aspecto cansado, sua tez abatida mostra alguém muito vivido e com o peso dos anos ali, explicitamente sobre suas costas. E descobrimos que sua idade não é nem tão avançada, apenas os dissabores da vida a tornaram aquela pessoa passível de compaixão.

Muito bem, o que é tão gritante entre estes dois corpos? A Flexibilidade, a mobilidade, os movimentos rápidos, firmes e seguros de um contra a estagnação e insegurança do outro. E qual dos dois você quer ser?

Quando temos uma saúde perfeita, nem percebemos que a manutenção pode ser feita apenas mantendo, ou ganhando, movimento. E assim nossas articulações, ou juntas, irão nos propiciar as condições de evitar (ou prevenir) artroses, artrites, contusões e outras tantas lesões comuns para um grupo de pessoas, mas muito menos para aquelas que tem o tal “condicionamento físico”.

Há estudos que comprovam grandes benefícios para os indivíduos que regularmente praticam alongamentos em uma atividade física. Podemos citar como exemplo:
• Libera as articulações e promove mobilidade;
• Melhora a circulação sanguínea;
• Melhora os níveis de concentração;
• Reduz o estresse e variações de humor;
• Aumenta e libera energia;
• Alivia inflamações durante o treino físico;
• Alonga músculos e tendões.


Tendo assim tantos benefícios, podemos conseguir ter uma personalidade que desperte em nossos semelhantes aquele sentimento de admiração, tornando-nos pessoas mais aptas ao trabalho e muito mais felizes.

Mas observem que raramente são aqueles que "ganham" tempo fazendo alongamentos. A maioria supõem que o importante é apenas a atividade aeróbica, menosprezando as benesses de um eficiente método de preparação e adequação dos musculos e articulações para a atividade "principal", ou resumindo, o alongamento.

Que tal alguma dica agora, para termos eficiência nos alongamentos?
1. Nunca se esqueça do alongamento.
2. Sempre se alongue antes e depois das atividades.(mesmo as profissionais).
3. Você pode se alongar diariamente.
4. Mantenha os alongamentos por no mínimo dez segundos.
5. Relaxe, alongue-se numa posição confortável.
6. Durante a musculação, ocasionalmente, alongue-se antes e/ou entre os grupos de exercícios.
7. Se sentir dor, diminua a carga ou a intensidade.
8. Respire normalmente, nunca segure a respiração.
9. Sempre realize alongamento após exercitar-se.


Alongue-se todos os dias para manter a sua mobilidade, aumentar sua vitalidade e reduzir o risco de lesões ou dores provenientes de qualquer atividade física. Oxigene seu cérebro para estar apto e alerta aos desafios diários. E permita-se esse prazer de parar, sentir seu corpo, observar seu entorno do momento e descobrir o inusitado.

sábado, 6 de março de 2010

Sabedoria do Viver

Tsuta naku mo
Makoto ni izuru koto no ha wa
Hito wo ugokasu chikara arikeri
. *



As palavras de Mokiti Okada** expressam o sentimento altruísta imbuído no mais sublime e atual momento em que vivemos, o de colocar ética e altruísmo em tudo que fazemos. Este filósofo e religioso japonês pregava um rigoroso sistema de vida baseado na premissa de que “devemos ser úteis a Deus” ou “quem quer ser feliz, deve primeiramente fazer o outro feliz”.

Dizia que a raiz do grande mal da humanidade é o egoísmo, que leva a um descabido materialismo que o impede de ver a verdade. Isso através das sucessivas gerações criou raízes tão profundas no homem, que os três grandes males a serem erradicados, a saber - doença;conflito;pobreza - tornaram-se os grandes processos de purificação (como ele costumava dizer ao invés de sofrimento mesmo) para a elevação da humanidade a um patamar mais digno de sua natureza.

Vamos a algumas de suas palavras para entendermos melhor o que ele considera no poema acima:

“(...) Há um método que nos permite avaliar o nosso progresso na Fé e o nosso aprimoramento espiritual. Primeiro, devemos evitar as desavenças; depois, desenvolver a bondade; por fim, nos tornarmos mais corteses. Se conhecermos alguém com tais atributos, veremos logo que é pessoa polida, que se aprimorou e que possui o intrínseco valor da Fé. Essa pessoa será estimada e respeitada por todos; suas atitudes valerão como uma silenciosa divulgação de Fé; servirá como exemplo de Fé concretizada em atos”.

Então após você ler isso, me questiona: nós vivemos isso?

Sim, é isso que vivemos. As situações de penúria em que vivem os moradores de rua de nossas cidades não nos fazem refletir o porquê desta condição social, tendo tantas oportunidades de uma vida mais digna?(e vemos pessoas se desdobrando para amenizar essa situação criando mutirões de assistência) Quem não se indigna com os fatos recentes do governo do distrito federal e almeja que haja uma real mudança no nosso país? ( e vemos os jovens se mobilizando em protestos contra tamanha canalhice!) Os desastres naturais (como esse recente terremoto no Chile) que estão pipocando em todo o planeta não faz isso, levam as pessoas a pensarem no seu próximo(e muitas a agir em favor) tornando-as mais “leves” e corteses?

Novamente então você, estimado leitor, retruca: e o que tem de sublime nisso tudo?

Certa vez, lendo um livro de Josef Campbell,(o Poder do Mito Ed. Palas Athena), ele com muita propriedade disserta sobre o Sublime em termos mitológicos: “(...) conheci um bom numero de pessoas que estavam na Europa central durante o auge dos bombardeios anglo-americanos em suas cidades; muitos deles descreveram essa experiência desumana não apenas como terrível, mas também como sublime”.

Como ele mesmo cita anteriormente, “ uma outra modalidade do sublime é a da energia prodigiosa, a força e o poder”. Ora, se nos detivermos no problema, na negatividade da situação seremos uma inteira passividade da experiência de transformação da sociedade. E se agirmos de alguma forma, estaremos nos alinhando com as forças de mutação que estão gerando a nova era, ou o pós-apocalipse, ou o advento do novo mundo, ou a era de aquário, ou o fim do calendário Maia, ou......

A escolha é sua, e como diz o inigualável Silvio Santos “...por sua conta e risco...”

Um maravilhoso dia para você!


* Existe força
Nas palavras que provêm do Makoto,***
Embora proferidas sem expressividade

** fundador da igreja messiânica (www.messianica.org.br )

*** Makoto - Palavra japonesa que não tem uma tradução exata. A idéia que contém é a seguinte: levar em consideração, em primeiro lugar, os outros; depois a si mesmo. Daí expressar um conceito amplo de amor ao próximo.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Para quem quer ser "cuidado"


Como terapeutas estamos sempre em busca de auxilio ao outro, procurando muitas vezes auxiliar de maneiras não tão claras para nossos pacientes, pois o processo de cura que cada um se propõem (os pacientes) é específico daquela pessoa.

Muitas vezes nos deparamos com situações de extrema rigidez fisica, de bloqueios emocionais, de problemas que aparentam não ter solução; contudo o desafio de auxiliar o próximo nesta árdua caminhada muitas vezes aparenta ser dissonante com o problema. Mas o principal de um atendimento terapêutico deve ser pautado pelo cuidado com que o terapeuta leva o processo todo, a todo instante.

Se você sente que seu terapeuta o conduz com cuidado, então pode confiar nesse profissional que está a sua frente. Mas, o que você deve considerar como cuidado?

Acredito sinceramente que fábulas e estórias sempre ilustram muito bem o caminho das pedras. Muitas vezes a sua concepção de um termo como o “cuidado” que estou me referindo não condiz com o ideal deste termo filosoficamente ou eticamente falando. Assim do livro de Leonardo Boff, “Saber Cuidar” retiro o conto de “Cuidado” que foi escrita por Higino, um escravo romano que conseguiu sua liberdade. É uma transcrição de uma fábula que remonta a tempos imemoriais.


Fábula-mito do Cuidado


Certo dia, ao atravessar um rio, Cuidado viu um pedaço de barro. Logo teve uma idéia inspirada. Tomou um pouco do barro e começou a dar-lhe forma. Enquanto contemplava o que havia feito, apareceu Júpiter.

Cuidado pediu-lhe que soprasse espírito nele, o que Júpiter fez de bom grado. Quando porém, Cuidado quis dar um nome à criatura que havia moldado, Júpiter o proibiu. Exigiu que fosse imposto o seu nome.

Enquanto Júpiter e Cuidado discutiam, surgiu, de repente, a Terra. Quis também ela conferir o seu nome à criatura, pois fora feita de barro, material do corpo da Terra. Originou-se então uma discussão generalizada.

De comum acordo pediram a Saturno que funcionasse como árbitro. Este tomou a seguinte decisão que pareceu justa:

“Você, Júpiter, deu-lhe o espírito; receberá, pois, de volta este espírito por ocasião da morte dessa criatura.

Você, Terra, deu-lhe o corpo; receberá, portanto, também de volta o seu corpo quando essa criatura morrer.

Mas como você, Cuidado, foi quem, por primeiro, moldou a criatura, ficará sob seus cuidados enquanto ela viver.

“E uma vez que entre vocês, há acalorada discussão acerca do nome decido eu: esta criatura será chamada Homem, isto é, feita de húmus, que significa terra fértil”.


Assim, dentro deste processo nem sempre os elementos que se apresentam aparentam ter relação direta com o foco principal, mas são peças chave para o caminho de solução. E não podem ser ignoradas pois fazem parte do problema, e somente pode-se chegar a cura passando por cada um dos seus meandros.

E se gostou dos termos míticos usados, saiba que o seu terapeuta nada mais é do que o arauto, aquele que conduz ao objetivo estipulado por você, meu caro leitor...